Neste artigo
A frequência é um dos indicadores mais importantes da vida de uma loja. Ela pesa na regularidade do obreiro, nas elevações e exaltações, na escolha de cargos e, sobretudo, mostra se a Oficina está viva. Mesmo assim, em muitas lojas o controle depende de um livro de presença e de alguém disposto a fazer contas no fim do ano.
Este guia mostra como organizar o controle de frequência de forma confiável, do registro na porta do templo ao relatório para a mesa.
O que conta como frequência
Antes de calcular, a loja precisa definir o que entra na conta. Em geral, as perguntas são:
- Quais sessões contam? Sessões ordinárias, magnas, extraordinárias, ou todas?
- Visitas a outras lojas contam? Muitos regulamentos permitem que a presença em loja coirmã, comprovada, seja considerada.
- Como ficam as sessões de grau superior? Um Aprendiz não pode ser contado como ausente numa sessão de Mestre.
As respostas estão, em boa parte, no regulamento da sua Potência e no regimento interno da loja. Consulte esses documentos e registre por escrito o critério adotado, para que ele não mude a cada administração.
Como calcular o percentual
A conta básica é simples:
frequência (%) = presenças ÷ sessões em que o obreiro deveria estar × 100
O cuidado está no denominador. Ele deve considerar apenas as sessões em que o irmão podia estar presente:
- Liste as sessões do período.
- Retire as sessões de grau superior ao do obreiro.
- Retire as sessões em que ele estava de licença aprovada.
- Conte as presenças, incluindo as faltas abonadas, se o regimento permitir.
- Divida e multiplique por cem.
Um exemplo: no semestre houve 24 sessões, das quais 4 de grau superior ao do irmão. Ele esteve de licença em 2. O denominador fica 18. Se esteve presente em 15, a frequência é de aproximadamente 83%.
Depois de definido, transforme o critério num texto curto, aprovado em sessão. Por exemplo: "Para o cálculo de frequência, contam as sessões ordinárias e magnas no grau do obreiro ou inferior; visitas comprovadas a lojas regulares contam como presença; licenças aprovadas retiram as sessões do período do cálculo." Com uma frase dessas registrada em ata, o Chanceler não precisa decidir caso a caso.
Abono de faltas
Faltas por doença, viagem a trabalho ou luto costumam ser abonadas. Para que o abono seja justo, três regras ajudam:
- Quem abona deve estar definido, normalmente o Chanceler ou o Venerável Mestre.
- Até quando o irmão pode justificar, por exemplo, até a sessão seguinte.
- Registro do motivo e de quem abonou, para consulta futura.
Abonos sem registro geram desconfiança, principalmente às vésperas de eleições.
Regularidade: frequência e tesouraria
Na maioria das Potências, a regularidade do obreiro combina frequência mínima e situação de quite com a tesouraria. Por isso, Chanceler e Tesoureiro precisam olhar para a mesma lista.
Quando cada um mantém a sua planilha, é comum surgirem divergências: o irmão está regular para um e irregular para outro. A solução é ter uma fonte única, ou ao menos uma conferência mensal entre os dois cargos. Para a parte financeira, veja como cobrar mensalidade sem constrangimento.
Registro na porta do templo
O ponto mais frágil do controle é o registro. O livro de presença continua sendo exigido em muitas lojas, mas transcrevê-lo depois para uma planilha dobra o trabalho e abre espaço para erro.
Algumas práticas que ajudam:
- Um responsável fixo pelo registro em cada sessão.
- Registro na entrada, e não no fim da sessão, quando alguns irmãos já saíram.
- Leitura de código: um QR Code por obreiro reduz o registro a poucos segundos por irmão.
- Conferência antes de encerrar a sessão, para corrigir esquecimentos.
Visitas a lojas coirmãs
Visitar outras Oficinas é parte da vida maçônica. Para que a visita seja considerada, o irmão precisa comprovar, em geral com o certificado ou o registro emitido pela loja visitada. Guarde esses comprovantes de forma organizada, ligados ao cadastro do obreiro.
O relatório para a mesa
Uma vez por mês, o Chanceler pode levar à mesa um relatório curto:
- frequência média da loja no período;
- obreiros abaixo do mínimo exigido;
- faltas abonadas e motivos;
- visitas registradas a lojas coirmãs.
Os irmãos abaixo do mínimo merecem uma conversa fraterna antes de qualquer outra medida. Muitas vezes há um motivo que a loja desconhece.
Conclusão
Um bom controle de frequência depende de critérios claros, de um registro feito na hora e de uma conta que considere licenças e graus. Com isso, a regularidade deixa de ser motivo de discussão e passa a ser um dado confiável. Na troca de administração, esse histórico é um dos itens mais importantes a transferir: veja o checklist de transição de gestão. E, para registrar o que acontece em cada sessão, leia como redigir a ata (balaústre).
Perguntas frequentes
Qual é a frequência mínima exigida?
Depende do regulamento da sua Potência e do regimento interno da loja. Consulte esses documentos.
Falta abonada conta como presença?
Em muitas lojas, sim, mas a regra varia. O critério deve estar escrito no regimento ou numa decisão da loja.
Visita a outra loja conta na frequência?
Muitos regulamentos permitem, desde que comprovada pelo certificado ou registro da loja visitada.
Leia também
Mais sobre controle de presença
Perguntas frequentes
Termos do glossário